Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
É demais querer saber o outro? Quem ele é, o que quer, o que o movo? Acho que uma boa de sinceridade nos dá a resposta. Mas, isso me parece bem difícil nos dias de hoje. A vida é sempre um risco. É mais simples administrar vários "eus". Evita a fadiga.
Comme devoir: não importa em que ponto ele ficou, e sim, que não está mais aqui por livre e espontânea vontade.

3 comentários:
A Verdade existe, Paula.
E como tudo que é muito valioso, ela também é muito rara.
O que faz com que a busca seja muito mais difícil.
E muito mais recompensadora.
Gorda, não é a verdade o problema. É a coragem! O fato é que vai existir alguém que estará por inteiro com você e com as mesmas expectativas que você! E aí vocês dois estarão sempre em verdade, porque não haverá covardia de nenhum lado!
Palavras de quem já esteve dos dois lados...
Amo você sempre, minha dodinha ninda!
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